Eu detesto Coca Light

“Eu detesto George W. Bush desde a guerra do Kwait.
Não quero que tu te vás, mas se tu queres ir-se vai-te.
Quero adoçar minha sina que viver tá muito diet,
Danação é cocaína mesmo quando chamam bright.
Gosto de você menina, mas detesto coca light.

Gosto de sair à noite de tomar um birinight,
Jurubeba tubaína, Johnny Walker, Black White.
Me afogo na cangibrina caio no tatibitáti,
Tomo cinco ou seis salinas feito fosse chocolate.
Engulo até gasolina mas detesto coca light.

Fazem da boate igreja, da igreja fazem boate.
Poem veneno na comida cicuta no abacate.
Eu cuido da minha vida não sou boi que vai pra o abate,
Podem cortar minha crina, podem partir pra o ataque.
Podem me esperar na esquina mas detesto coca light.

Deus é o juiz do mundo ele apita o nosso embate.
Nem Carlos Eugênio Simon nem José Roberto Wright.
A partida não termina prorrogação e penálti.
A torcida feminina dá o molho ao combate,
Aprendo o que a vida ensina, mas detesto coca light.

Tolerância zero, fome zero coca zero,
No quartel do mundo eu sou o recruta zero.
Quero quero tanta coisa, E só me dão o que não quero.”
Zeca Baleiro e Chico César

Charles Chaplin / Phrásis

"A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina. Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás pra frente. Nós deveríamos morrer primeiro, nos livrar logo disso.

Daí viver num asilo, até ser chutado pra fora de lá por estar muito novo. Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar. Então você trabalha 40 anos até ficar novo o bastante pra poder aproveitar sua aposentadoria.

Aí você curte tudo, bebe bastante álcool, faz festas e se prepara para a faculdade. Você vai para o colégio, tem várias namoradas, vira criança, não tem nenhuma responsabilidade, se torna um bebezinho de colo, volta pro útero da mãe, passa seus últimos nove meses de vida flutuando. E termina tudo com um ótimo orgasmo!
Não seria perfeito?"

Puta

“Você vai ao samba. Uma cabrocha: só no sapatinho.
Gostosa!!!!!
No final das contas vocês vão pro Motel. Transam a noite inteirinha.
Trinta dias depois, ela volta grávida, e quer ter o filho.
Conclusão: você pagar pensão pro resto da sua vida.
Ela te ama? Não!!!!! O quê que ela é então?
Puta, é puta!!!!!
Mas você insiste, não entrega os pontos.
Vai ao Shopping, quer comprar uma calça Lee. Uma vendedora vem ao seu encontro e te trata pelo nome, como se vocês fossem íntimos.
Gostosa!!!!
E sensual, provocante...Você não enxerga mais nada. Compra calça, cueca, meia, sapato.
Conclusão: ela é uma vendedora? Não!!!!!! O quê que ela é então?
Puta, é puta!!!!!
Cidade do Rio de Janeiro, zona sul, garota de Ipanema.
Você quer morar lá. Tem money? Não.
Então, não pode não.
Conclusão: essa cidade te ama? Não!!!!!! O quê que ela é então?
Puta, é puta!!!!!
"Calma, quê isso? Você tá tão revoltado", disse a psicanalista diante do meu delírio.
É que todas as coisas que eu via – criança, fábrica, escola... – todas elas pareciam putas.
Trinta minutos depois, eu paguei a consulta e voltei sozinho pra casa.
Com aquela sensação:
Puta, é puta!!!!!!!!!”
Rogério Skylab

O Retrato Oval

O castelo em que o meu criado se tinha empenhado em entrar pela força, de preferência a deixar-me passar a noite ao relento, gravemente ferido como estava, era um desses edifícios com um misto de soturnidade e de grandeza que durante tanto tempo se ergueram nos Apeninos, não menos na realidade do que na imaginação da senhora Radcliffe. Tudo dava a entender que tinha sido abandonado recentemente. Instalamo-nos num dos compartimentos mais pequenos e menos sumptuosamente mobilados, situado num remoto torreão do edifício. A decoração era rica, porém estragada e vetusta. Das paredes pendiam colgaduras e diversos e multiformes troféus heráldicos, misturados com um desusado número de pinturas modernas, muito alegres, em molduras de ricos arabescos doirados. Por esses quadros que pendiam das paredes - não só nas suas superfícies principais como nos muitos recessos que a arquitetura bizarra tornara necessários - , por esses quadros, digo, senti despertar grande interesse, possivelmente por virtude do meu delírio incipiente; de modo que ordenei a Pedro que fechasse os maciços postigos do quarto, pois que já era noite; que acendesse os bicos de um alto candelabro que estava à cabeceira da minha cama e que corresse de par em par as cortinas franjadas de veludo preto que envolviam o leito. Quis que se fizesse tudo isto de modo a que me fosse possível, se não adormecesse, ter a alternativa de contemplar esses quadros e ler um pequeno volume que acháramos sobre a almofada e que os descrevia e criticava.

Por muito, muito tempo estive a ler, e solene e devotamente os contemplei. Rápidas e magníficas, as horas voavam, e a meia-noite chegou. A posição do candelabro desagradava-me, e estendendo a mão com dificuldade para não perturbar o meu criado que dormia, coloquei-o de modo a que a luz incidisse mais em cheio sobre o livro. Mas o movimento produziu um efeito completamente inesperado. A luz das numerosas velas (pois eram muitas) incidia agora num recanto do quarto que até então estivera mergulhado em profunda obscuridade por uma das colunas da cama. E assim foi que pude ver, vivamente iluminado, um retrato que passava despercebido. Era o retrato de uma jovem que começava a ser mulher. Olhei precipitadamente para a pintura e ato contínuo fechei os olhos. A principio, eu próprio ignorava por que o fizera. Mas enquanto as minhas pálpebras assim permaneceram fechadas, revi em espírito a razão por que as fechara. Foi um movimento impulsivo para ganhar tempo para pensar - para me certificar que a vista não me enganava -, para acalmar e dominar a minha fantasia e conseguir uma observação mais calma e objetiva. Em poucos momentos voltei a contemplar fixamente a pintura. Que agora via certo, não podia nem queria duvidar, pois que a primeira incidência da luz das velas sobre a tela parecera dissipar a sonolenta letargia que se apoderara dos meus sentidos, colocando-me de novo na vida desperta.

O retrato, disse-o já, era de uma jovem. Apenas se representavam a cabeça e os ombros, pintados à maneira daquilo que tecnicamente se designa por vinheta - muito no estilo das cabeças favoritas de Sully. Os braços, o peito, e inclusivamente as pontas dos cabelos radiosos, diluíam-se imperceptivelmente na vaga mas profunda sombra que constituía o fundo. A moldura era oval, ricamente doirada e filigranada em arabescos. Como obra de arte, nada podia ser mais admirável que o retrato em si. Mas não pode ter sido nem a execução da obra nem a beleza imortal do rosto o que tão subitamente e com tal veemência me comoveu. Tão-pouco é possível que a minha fantasia, sacudida da sua meia sonolência, tenha tomado aquela cabeça pela de uma pessoa viva. Compreendi imediatamente que as particularidades do desenho, do vinhetado e da moldura devem ter dissipado por completo uma tal idéia - devem ter evitado inclusivamente qualquer distração momentânea. Meditando profundamente nestes pontos, permaneci, talvez uma hora, meio deitado, meio reclinado, de olhar fito no retrato. Por fim, satisfeito por ter encontrado o verdadeiro segredo do seu efeito, deitei-me de costas na cama. Tinha encontrado o feitiço do quadro na sua expressão de absoluta semelhança com a vida, a qual, a princípio, me espantou e finalmente me subverteu e intimidou. Com profundo e reverente temor, voltei a colocar o candelabro na sua posição anterior. Posta assim fora da vista a causa da minha profunda agitação, esquadrinhei ansiosamente o livro que tratava daqueles quadros e das suas respectivas histórias. Procurando o número que designava o retrato oval, pude ler as vagas e singulares palavras que se seguem:

«Era uma donzela de raríssima beleza e tão adorável quanto alegre. E maldita foi a hora em que viu, amou e casou com o pintor. Ele, apaixonado, estudioso, austero, tendo já na Arte a sua esposa. Ela, uma donzela de raríssima beleza e tão adorável quanto alegre, toda luz e sorrisos, e vivaz como uma jovem corça; amando e acarinhando a todas as coisas; apenas odiando a Arte que era a sua rival; temendo apenas a paleta e os pincéis e outros enfadonhos instrumentos que a privavam da presença do seu amado. Era pois coisa terrível para aquela senhora ouvir o pintor falar do seu desejo de retratar a sua jovem esposa. Mas ela era humilde e obediente e posou docilmente durante muitas semanas na sombria e alta câmara da torre, onde a luz apenas do alto incidia sobre a pálida tela. E o pintor apegou-se à sua obra que progredia hora após hora, dia após dia. E era um homem apaixonado, veemente e caprichoso, que se perdia em divagações, de modo que não via que a luz que tão sinistramente se derramava naquela torre solitária emurchecia a saúde e o ânimo da sua esposa, que se consumia aos olhos de todos menos aos dele. E ela continuava a sorrir, sorria sempre, sem um queixume, porque via que o pintor (que gozava de grande nomeada) tirava do seu trabalho um fervoroso e ardente prazer e se empenhava dia e noite em pintá-la, a ela que tanto o amava e que dia a dia mais desalentada e mais fraca ia ficando. E, verdade seja dita, aqueles que contemplaram o retrato falaram da sua semelhança com palavras ardentes, como de um poderosa maravilha, - prova não só do talento do pintor como do seu profundo amor por aquela que tão maravilhosamente pintara.

Mas por fim, à medida que o trabalho se aproximava da sua conclusão, ninguém mais foi autorizado na torre, porque o pintor enlouquecera com o ardor do seu trabalho e raramente desviava os olhos da tela, mesmo para contemplar o rosto da esposa. E não via que as tintas que espalhava na tela eram tiradas das faces daquela que posava junto a ele. E quando haviam passado muitas semanas e pouco já restava por fazer, salvo uma pincelada na boca e um retoque nos olhos, o espírito da senhora vacilou como a chama de uma lanterna. Assente a pincelada e feito o retoque, por um momento o pintor ficou extasiado perante a obra que completara; mas de seguida, enquanto ainda a estava contemplando, começou a tremer e pôs-se muito pálido, e apavorado, gritando em voz alta 'Isto é na verdade a própria vida!', voltou-se de repente para contemplar a sua amada: - estava morta!
Edgar Allan Poe

Melhora de Vida

Angel Cabeza

“– E então, como foi a entrevista?
– Nada boa. Mas consegui algo melhor.
– Nada melhor que trabalho. A vida anda difícil.
– Sim, mas isso me deixará rico. Olha...
– Um anúncio de vidente? Vai ler a sorte agora?
– Não! Eu fui consultar a madame Águia Branca hoje. Minha sorte vai mudar.
– Meu Deus! Já mudou, e para pior. Águia Branca? Cadê o dinheiro que te emprestei?
– Tive que pagar a madame e...
– Parece que a minha sorte também mudou. E agora, o que tu vai fazer?
– Não terminei ainda. Olha só a lista.
– Que lista?
– Para o despacho de meia-noite, na sexta-feira.
– Que? Trocou emprego por despacho?
– A madame disse que se eu arriar a obrigação numa encruzilhada ficarei rico. E para que trabalhar depois da riqueza?
– E você acreditou?
– Fazer o que? Preciso de uma ajuda, mesmo que seja espiritual. E então, vamos?
– Para onde?
– Para o despacho. Preciso de uma mão e patrocínio.
– Eu é que vou patrocinar o seu despacho? E, só para lembrar, quem vai ficar rico é você e não eu.
– Eu divido o que o santo der meio a meio. Vai?
– Fazer o que? E então, já tem o que comprar?
– É essa lista aí na tua mão.
– Fubá, feijão, arroz, azeite, óleo, farinha, frango e alface. Para que o santo precisa de tanta coisa? Ele ta com fome?
– Sei lá! A madame que passou. Tenho que oferecer para o santo e, em troca, ele me deixará rico.
– Como?
– Sei lá! Ele é o santo e tem seus meios. Se eu soubesse, virava santo.
– E esse saco aí?
– São as coisas.
– Você já comprou tudo? Mas e o dinheiro...
– Eu pendurei na conta. Depois pago. Meia noite?
– Fazer o que?
.......

– E então, trouxe tudo?
– Tudo. Espero que o santo goste. Vou começar que já está tarde.
– O que é isso?
– A obrigação do santo.
– Mas não tem frango aí. Isso é só osso com pele por cima?
– Você queria o que? Estava com fome e não posso fazer o despacho de estômago vazio.
– A madame disse isso?
– Não, mas...
– Ei! E o que é isso?
– Farinha.
– Mas e a farofa?
– Não tinha dinheiro para a manteiga. Mas farinha é farofa sem gosto. E santo não sente gosto. Deixe-me acender as velas.
– Cotoco de velas já é demais! Pegou na igreja?
– As velas aumentaram muito.
– E você acha que vai ficar rico?
– Claro! A madame não erra.
– E ela sabe que você comeu o frango, não fez farofa e roubou a vela da igreja?
– Não, mas...
– E porque a garrafa está vazia?
– Você queria que eu comesse a seco?
– Meu Deus! O santo não vai gostar.
– Que nada. Santo não bebe, por isso virou santo. É só simbolismo. Agora vamos embora e deixar o santo com seu banquete.
– Você não tem vergonha? Onde já se viu comer o frango...
– Ih! Esqueci do mais importante.
– O que?
– Do caldo knorr.
– Caldo de frango? Era só o que faltava. Não tem frango vai caldo?
– Nem caldo. Não tenho água. Está tudo pela hora da morte. É só esfarelar para dar um gostinho por cima. E o santo não vai nem perceber.

...Um mês depois...

– E então, rico?
– Que nada. Empresta algum?
– Que? E aquele último do mês passado? E o santo?
– Tive que voltar na madame.
– De novo?
– Acho que aquele caldo knorr não era 100% de frango, por isso não deu certo. Mas o próximo, ah, vai. Sexta-feira à noite, combinado?
– Que? Eu tenho cara de igreja?
– Ah, vai, empresta algum para o santo? Afinal, você também vai ficar rico.
– Eu o que?
Meio a meio. E a madame disse que se você ajudar...”
Do Blog: Angel Cabeza

Silêncio

Escuta - disse o demônio, pousando a mão sobre a minha cabeça. - O país de que te falo é um país lúgubre, na Líbia, às margens do rio Zaire. E ali não há repouso nem silêncio. As águas do rio, amarelas e insalubres, não correm para o mar, mas palpitam sempre sob o olhar ardente do Sol, com um movimento convulsivo. De cada lado do rio, sobre as margens lodosas, estende-se ao longe um deserto sombrio de gigantescos nenúfares, que suspiram na solidão, erguendo para o céu os longos pescoços espectrais e meneando tristemente as cabeças sempiternas. E do meio deles sai um sussurro confuso, semelhante ao murmúrio de uma torrente subterrânea. E os nenúfares, voltados uns para os outros, suspiram na solidão.

E o seu império tem por limite uma floresta alta, cerrada, medonha! Lá, - como as vagas em torno das Híbridas, pequenos arbustos agitam-se sem repouso, contudo não há vento no céu! - e as grandes árvores primitivas oscilam continuamente, com um estrépito enorme. E dos seus cumes elevados filtra, gota a gota, um orvalho eterno. A seus pés contorcem-se num sono agitado, flores desconhecidas - venenosas. E por cima das suas cabeças, com um ruge-ruge retumbante, precipitam-se as nuvens negras a caminho do ocidente, até rolarem as cataratas para trás da muralha abrasada do horizonte. E nas margens do rio Zaire há repouso nem silêncio.

Era noite e a chuva caía enquanto caía, era água mas quando chegava ao chão era sangue! E eu estava na planície lodosa, por entre os nenúfares, vendo a chuva que caía sobre mim. E os nenúfares voltados uns para os outros suspira na solenidade da sua desolação.

De repente apareceu a lua através do nevoeiro fúnebre vinha toda carmesim! e o meu olhar caiu sobre um rochedo enorme, sombrio, que se erguia a borda do Zaire, refletindo a claridade da lua; era um rochedo sombrio sinistro de uma altura descomunal!

Sobre o seu cume estavam gravadas algumas letras. Caminhei através dos pântanos de nenúfares, até a margem para ler as letras gravadas na pedra; mas não pude decifrá-las. Ia voltar quando a lua brilhou mais viva e mais vermelha; olhando outra vez para o rochedo distingui só caracteres. E esses caracteres diziam: desolação.

Levantei os olhos; na crista do rochedo estava um homem de figura majestosa. Pendia-lhe dos ombros a antiga toga romana, cobrindo-se até aos pés. Os contornos da sua pessoa não se distinguiam, mas as feições eram as da divindade porque brilhavam através da escuridão da noite a do nevoeiro. Tinha a fronte alta e pensativa, os olhos profundos e melancólicos. Nas rugas do semblante, liam-se as legendas da desgraça e da fadiga o aborrecimento da humanidade e o amor da solidão. Escondi-me no meio dos nenúfares para ver o que aquele homem fazia ali.

E o homem assentou-se no rochedo, deixou pender a cabeça sobre a mão e espraiou a vista pela soledade, contemplou os arbustos buliçosos e as grandes árvores primitivas; depois, ergueu os olhos para a céu a para a lua carmesim. Eu observava as ações do homem escondido no meio dos nenúfares e o homem tremia na solidão. Todavia a noite avançava e ele continuava assentado sobre o rochedo.

Então o homem desviou os olhos do céu para o rio lúgubre para as águas amarelas do Zaire, e para as legiões sinistras dos nenúfares; escutou-lhes os suspiros melancólicos e as oscilações murmurantes E eu o espreitava sempre, do meu esconderijo e o homem tremia na solidão. Todavia a noite avançava e ele continuava assentado sobre o rochedo.

Embrenhei-me na profundezas longínquas do pântano, caminhei sobre e as flores dos nenúfares e chamei os hipopótamos que habitavam a espessura do bosque. E os hipopótamos ouviram o meu chamado e vieram os Behemothes até o pé do rochedo e soltaram um rugido medonho. E eu, escondido por entre os nenúfares, espreitava os movimentos do homem e o homem tremia na solidão. Todavia a noite avançava e ele continuava assentado sobre o rochedo.

Então invoquei os elementos e uma tempestade horrorosa rosa sobreveio. E o céu tornou-se lívido pela violência da tempestade e a chuva caía em torrente sobre a cabeça do homem e as ondas do rio transbordavam e o rio espumava enfurecido e os nenúfares suspiravam com mais força, e a floresta debatia-se com o vento, e o trovão ribombava e os raios flamejavam, e o rochedo estremecia.

Irritei-me e amaldiçoei a tempestade, o rio e os nenúfares, o vento e as floresta, o céu e o trovão. E na minha maldição os elementos emudeceram e a lua parou na sua carreira, e o trovão expirou e o raio deixou de faiscar, e as nuvens ficaram imóveis e as águas tornaram n repousar no seu imenso leito, e as árvores cessaram de se agitar, e os nenúfares não suspiraram mais e na floresta não se tornou a ouvir o mínimo murmúrio, nem a sombra de um som no vasto deserto sem limites. Olhei para os caracteres escritos no rochedo e os caracteres diziam agora: Silêncio.

Volvi outra vez os olhos para o homem, e o seu rosto estava pálido de terror. De repente, levantou a cabeça, ergueu-se sobre o rochedo e pôs o ouvido à escuta. Mas não se ouviu nem uma voz no deserto ilimitado. E os caracteres gravados no rochedo diziam sempre: Silêncio. E o homem estremeceu e fugiu e para tão longe fugiu que jamais o tornei a ver.

Ora, os livros dos magos, os melancólicos livros dos magos encerram belos contos, esplêndidas histórias do céu, da terra e do mar poderosos; dos gênios que têm reinado sobre a terra, sobre o mar e sobre o céu sublime. Há muita ciência na palavra das Sibilas. E das florestas sombrias de Dodona saíam outrora oráculos profundos.

Mas jamais se ouviu uma história tão espantosa como esta! Foi o demônio que ma contou, assentado ao um lado, na solidão do túmulo. Quando acabou de falar, desatou a rir e como não pudesse rir com ele, amaldiçoou-me. Então o lince, que vive eternamente no túmulo, saiu do seu esconderijo e veio deitar-se aos pés do demônio, olhando-o fixamente nas pupilas.
Edgar Allan Poe

Ação!

"O ingrediente crítico é arregaçar as mangas e fazer algo. É tão simples quanto isso. Um monte de pessoas tem idéias, mas existem poucas que decidem fazer algo em relação a elas agora. Não amanhã. Não na semana que vem. Mas hoje. O verdadeiro empreendedor é um realizador."
Nolan Bushnell

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“A ação é uma grande restauradora e construtora da confiança. A inatividade não só é o resultado, mas a causa do medo. Talvez a ação que você tome tenha êxito; talvez uma ação diferente ou ajustes terão de ser feitos. Mas qualquer ação é melhor que nenhuma."
Norman Vincent Peale

Dez Coisas que Levei Anos Para Aprender

1. Uma pessoa que é boa com você, mas grosseira com o garçom, não pode ser uma boa pessoa.
2. As pessoas que querem compartilhar as visões religiosas delas com você, quase nunca querem que você compartilhe as suas com elas.
3. Ninguém liga se você não sabe dançar. Levante e dance.
4. A força mais destrutiva do universo é a fofoca.
5. Não confunda nunca sua carreira com sua vida.
6. Jamais, sob quaisquer circunstâncias, tome um remédio para dormir e um laxante na mesma noite.
7. Se você tivesse que identificar, em uma palavra, a razão pela qual a raça humana ainda não atingiu (e nunca atingirá) todo o seu potencial, essa palavra seria "reuniões".
8. Há uma linha muito tênue entre "hobby" e "doença mental".
9. Seus amigos de verdade amam você de qualquer jeito.
10. Nunca tenha medo de tentar algo novo. Lembre-se de que um amador solitário construiu a Arca. Um grande grupo de profissionais construiu o Titanic.”
Luiz Fernando Veríssimo