A guerra é bela, porque cria novas arquitecturas, como a dos grandes tanques, dos esquadrões aéreos em formação geométrica, das espirais de fumo pairando sobre as aldeias incendiadas, e muitas outras (...) Poetas e artistas do futurismo (...) lembrai-vos desses princípios de uma estética de guerra, para que eles iluminem a vossa luta por uma nova poesia e uma nova escultura!
Esse manifesto tem o mérito da clareza. A sua maneira de colocar o problema merece ser transposta da literatura para a dialética. Segundo ele, a estética da guerra moderna apresenta-se do seguinte modo: como a utilização natural das forças produtivas é bloqueada pelas relações de propriedade, a intensificação dos recursos técnicos, dos ritmos e das fontes de energia exige uma utilização antinatural. Essa utilização é encontrada na guerra, que prova com as suas devastações que a sociedade não estava suficientemente madura para fazer da técnica o seu órgão, e que a técnica não estava suficientemente avançada para controlar as forças elementares da sociedade. Nos seus traços mais cruéis, a guerra imperialista é determinada pela discrepância entre os poderosos meios de produção e a sua utilização insuficiente no processo produtivo, ou seja, pelo desemprego e pela falta de mercados. Essa guerra é uma revolta da técnica, que cobra em «material humano» o que lhe foi negado pela sociedade.
Walter Benjamin, in 'Magia e Técnica, Arte e Política'
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