Gustave Flaubert, in 'Memórias de um Louco'
Ages Impelido por Mil Coisas
Dizes-te livre e todos os dias ages impelido
por mil coisas. Vês uma mulher e ama-la, morres de amor por ela; serás livre de
acalmar esse sangue que pulsa, de serenar essa cabeça ardente, de refrear esse
coração, de aplacar esses ardores que te devoram? Serás livre de pensar? Mil
cadeias te retêm, mil aguilhões te impelem, mil entraves te fazem parar. Vês um
homem pela primeira vez, há um dos seus traços que te choca, e durante a tua
vida sentes aversão por esse homem, que talvez tivesses amado se tivesse o
nariz mais pequeno. Tens mau estômago, e és brutal para com aquele que terias
acolhido com benevolência. E de todos estes factos derivam, ou neles se
encadeiam, também fatalmente, outras séries de factos, de que outros derivam por
sua vez.
Gustave Flaubert, in 'Memórias de um Louco'
Gustave Flaubert, in 'Memórias de um Louco'
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